TECENDO CAMINHOS PARA O ENSINO DE LITERATURA AFRO-BRASILEIRA
Nome: MAIARA AURELINO INOCÊNCIO
Data de publicação: 08/10/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| CARLA VERÔNICA ALBUQUERQUE ALMEIDA | Examinador Externo |
| ELIANE GONCALVES DA COSTA | Presidente |
| ZAIRA BOMFANTE DOS SANTOS | Examinador Interno |
Resumo: Este estudo destaca a escritora brasileira reconhecida e premiada nacionalmente e internacionalmente, Carolina Maria de Jesus, cuja produção literária apresenta a subjetividade de um Brasil esquecido e negado: o dos brasileiros negros e pobres. O livro Diário de Bitita é uma obra póstuma, publicada em 1982, primeiramente, na França e em língua francesa, e, posteriormente foi traduzida e publicada no Brasil, em 1986. Nesta obra há vivência de pessoas negras no Brasil pós-abolição da escravatura em 1888, de forma que pela narrativa do cotidiano de Bitita, que usa sua voz para contar a sua história, seja possível compreender como se deu a conservação das estruturas racistas, mesmo com o fim oficial da escravização de pessoas negras no país. O objetivo geral desta pesquisa é analisar como a obra literária de Carolina Maria de Jesus, por meio do livro Diário de Bitita, contribui para o ensino de literatura afro-brasileira no Ensino Médio, discutindo os seus desdobramentos para a Educação das Relações Étnico- Raciais e para o letramento literário. Para tanto, dialogaremos com as contribuições teóricas de autores como Candido (2004), Cosson (2009; 2010; 2020, 2022), Paulino (1999), Zappone (2008; 2021), Duarte (2010), Vigotski (2004; 2009), Freire (1989; 1996), bell hooks (2013) e Evaristo (2009; 2010), articulando reflexões sobre a função social da literatura, o letramento literário e a relevância da literatura afro-brasileira no contexto escolar. A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter participante, foi desenvolvida com 23 estudantes da 2a série do Ensino Médio de uma escola pública estadual em Linhares-ES. A análise dos dados evidenciou que a obra Diário de Bitita mobilizou nos alunos processos de identificação, reflexão crítica e ampliação de repertório cultural, favorecendo a compreensão de questões étnico-raciais e a valorização de vozes historicamente silenciadas. Constatou-se, ainda, que o letramento literário, ao articular a experiência estética e o diálogo intercultural, consiste em uma prática pedagógica capaz de potencializar a formação do leitor crítico e de promover a democratização do acesso à literatura. Assim, os resultados desta pesquisa reforçam a urgência de se assegurar o lugar da literatura afro-brasileira no ensino médio, não apenas como conteúdo curricular, mas como instrumento de transformação social e educacional.
