PRÁTICAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO MÉDIO DO NÚCLEO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (NEEJA) PARA UMA ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

Nome: CARLA FABRÍCIA CONRADT

Data de publicação: 05/12/2025

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ISABEL MATOS NUNES Examinador Interno
JULIANE APARECIDA DE PAULA PEREZ CAMPOS Examinador Externo
RITA DE CASSIA CRISTOFOLETI Presidente

Resumo: O processo de escolarização na Educação de Jovens e Adultos (EJA), sobretudo quando envolve estudantes com deficiência intelectual, exige reflexões aprofundadas sobre as práticas pedagógicas que garantam acesso, permanência e desenvolvimento desses sujeitos. Trata-se de dois grupos historicamente marginalizados e excluídos do direito à educação, o que reforça a necessidade de compreender como se configuram as ações pedagógicas nesse contexto. Deste modo, estabelecemos como objetivo geral investigar as práticas pedagógicas no processo de escolarização de estudantes da modalidade EJA, no Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos (NEEJA), com ênfase em uma estudante com deficiência intelectual matriculada no Ensino Médio, no município de São Mateus-ES. A partir desse objetivo, desdobramos a pesquisa em três objetivos específicos: compreender a organização da modalidade EJA no núcleo NEEJA, com base no Projeto Político-Pedagógico da escola pesquisada, com ênfase nas práticas pedagógicas desenvolvidas; analisar a trajetória do processo de escolarização da estudante com deficiência intelectual no núcleo do NEEJA, sob a perspectiva dela, da família e da coordenadora pedagógica; e investigar as práticas pedagógicas efetivadas pelos professores, incluindo o uso de recursos pedagógicos, para favorecer a aprendizagem dessa estudante no cotidiano da sala de aula. Adotamos a abordagem qualitativa, conduzida por meio de estudo de caso, envolvendo uma estudante com deficiência intelectual, seus familiares e/ou responsáveis, dois professores de Matemática, duas professoras de Língua Portuguesa e a coordenação pedagógica. Coletamos os dados por meio de entrevistas semiestruturadas e observação participante in loco, sendo analisados à luz da perspectiva histórico-cultural de Vigotski. Nos resultados constatamos, que os professores do NEEJA desenvolveram estratégias pedagógicas flexibilizadas, utilizaram recursos didáticos diversificados e promoveram interações colaborativas, criando um ambiente inclusivo que valorizou as diferenças individuais. No ensino de Língua Portuguesa, as professoras implementaram atividades variadas e flexibilizadas que favoreceram o desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita. Em Matemática, os professores recorreram a recursos manipulativos e metodologias ativas para aproximar os conceitos abstratos da realidade da estudante. Compreendemos que, na perspectiva histórico-cultural a educação inclusiva requer práticas pedagógicas significativas, mediadas por interações sociais e culturais, capazes de respeitar a singularidade da estudante pesquisada. Identificamos, ainda, que a inclusão efetiva na EJA evidenciou a ausência de formação continuada para os docentes. Concluímos que a inclusão da estudante Diamante no NEEJA ultrapassou a simples presença física na escola. As práticas pedagógicas desenvolvidas não apenas promoveram sua aprendizagem, mas também reverberaram em outros municípios do estado, reafirmando o compromisso de educação equitativa, humanizada e capaz de dissipar estigmas historicamente associados à deficiência.

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