IMPACTOS DA IMPLEMENTAÇÃO DA BASE NACIONAL COMUM CURRICULAR NA DISCIPLINA DE GEOGRAFIA NO MUNICÍPIO DE SÃO MATEUS (2016-2022)

Nome: UBIRATAN BOMFANTE DOS SANTOS

Data de publicação: 19/03/2026

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
ALDIERIS BRAZ AMORIM CAPRINI Examinador Externo
MARIA ALAYDE ALCANTARA SALIM Examinador Interno
UEBER JOSE DE OLIVEIRA Presidente

Resumo: A presente dissertação investiga os rebatimentos da implementação da Base Nacional Comum Curricular sobre a organização do currículo de Geografia na Rede Municipal de Educação de São Mateus-ES, no período de 2016 a 2022. O estudo se baseia na hipótese de que a cultura política oligárquica historicamente estabelecida no município, marcada pelo clientelismo nas relações políticas, possui dificuldades em empreender políticas educacionais duradouras que poderiam ser enquadradas como de Estado. Políticas públicas, e por arrasto as educacionais, tendem a ser implementadas de modo rarefeito devido à baixa técnica de governança e ao pouco apreço por processos participativos. A BNCC, concebida em um contexto de avanço da agenda neoliberal e de rupturas institucionais no país, é vista como uma política de caráter centralizador e de imposição vertical. Assim, analisa-se se essa herança oligárquica continua a se manifestar nas políticas educacionais contemporâneas, resultando em uma implementação com pouca participação efetiva da comunidade escolar, incluindo professores, pais e alunos. Pautamos nosso referencial teórico em Russo (2007, 2011), Santos (2017), Leal (2012), Alencar (2016), Malverdes (2024), Silva (1999), Malanchem (2016), Apple (2002) e Pimenta (1996, 2021). Para tanto, o estudo utilizou-se da metodologia da análise documental e entrevistas com questionários semiestruturados. O processo de adequação curricular local é examinado como reflexo dessa tradição política de pouco apreço pela consulta e pelo diálogo. A pesquisa examina o rebatimento dessa política nacional no “chão da escola”, investigando as percepções dos professores de geografia para entender como se deu a transição para a BNCC, as mudanças nas práticas educacionais e como as relações de poder e as orientações neoliberais se materializam no cotidiano da sala de aula. Os resultados indicam que, apesar da expansão do acesso à educação básica, o ensino quase universalizado, a qualidade e a democraticidade das políticas curriculares continuam num formato verticalizado, na qual a imposição de cima para baixo de um documento nacional, veio a reboque sem o devido preparo ou diálogo atuando quase como um efeito colateral.

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